Salas Maker impulsiona jovens talentos da rede municipal de ensino rumo às competições de robótica


Enquanto boa parte dos estudantes da rede municipal de ensino de João Pessoa aproveitava o recesso escolar de junho para descansar e recarregar as energias, alguns grupos de alunos se dedicaram parte do tempo livre a desafios, tecnologia e muita criatividade. Nas Salas Maker espalhadas pelas escolas municipais, esses jovens talentos seguem uma rotina intensa de estudos, testes e aperfeiçoamento de projetos, modificando curiosidade em inovação.

Desde o início do ano letivo, os estudantes vêm se preparando para representar João Pessoa e suas unidades de ensino em competições de robótica em cenários regionais, nacionais e até internacionais, demonstrando conhecimento, trabalho em equipe e capacidade de solução de problemas por meio da tecnologia.

O próximo grande desafio desses inventores dedicados já tem dados e endereços definidos. Entre os dias 23 e 29 de novembro, o Centro de Convenções de João Pessoa será palco do “Robótica 2026”, um dos maiores eventos do segmento no país. A programação reunirá três das principais competições brasileiras da área: a Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), a Competição Brasileira de Robótica (CBR Petrobras) e a Mostra Nacional de Robótica (MNR), consolidando a Capital Paraibana como referência nacional em educação, inovação e tecnologia.

“Sem dúvida, um dos principais objetivos das equipes no segundo semestre é o ‘Robótica 2026’. Será o maior evento de robótica e inteligência artificial da América Latina, e terá entrada gratuita. Porém, a preparação dos estudantes não se resume apenas a esse desafio. Ao longo do ano, eles também vêm se preparados para outras competições como o Torneio Pesoense de Robótica (TPR), as etapas regionais da First Lego League (FLL), a etapa nacional da World Robot Olympiad (WRO) e demais competições e shows científicos”, explica Diego Sérgio Araújo, diretor de Tecnologia da Informação e Comunicação (DTIC), vinculado à Secretaria de Educação e Cultura (Sedec).

Trabalho em equipe – Para Diego Araújo, todo esse compromisso dos alunos é reflexo do trabalho desenvolvido pela Prefeitura de João Pessoa que vem apostando na robótica educacional para despertar o interesse da “garotada” pela ciência, tecnologia, arte, inovação e trabalho em equipe. O projeto LabMaker, é uma iniciativa que conta com parcerias importantes, como as universidades públicas e outras instituições de ensino e pesquisa.

Araújo explica que as equipes de robótica geralmente são formadas por grupos de três a sete estudantes, acompanhados por um mediador de tecnologia, professor ou treinador. “Dentro do grupo, os alunos podem assumir funções relacionadas à programação, construção mecânica, montagem, estratégia, pesquisa científica, documentação do projeto, comunicação e apresentação. Todos são incentivados a compreender o projeto como um todo, garantindo uma participação integrada nas nações”, ressalta o diretor da DTIC.

Jacilene Dias, mediadora de tecnologia da Escola Municipal Nazinha Barbosa, em Manaíra, integra o projeto LabMaker desde sua implantação, em 2022. Para ela, trabalhar com crianças e adolescentes de diferentes faixas etárias exige sensibilidade para compreender as particularidades de cada turma e as necessidades individuais do estudante. Uma educadora destaca que esse processo é favorecido pelo ambiente das Salas Maker, caracterizado pelo acolhimento, colaboração e estímulo à criatividade, emergindo como um espaço onde os diferentes talentos são reconhecidos e potencializados.

“Os alunos gostam de estar aqui, de criar, experimentar e descobrir novas possibilidades. É impressionante como esse espaço revela talentos que, muitas vezes, passamiam despercebidos. Há adolescentes que chegam bem tímidos, e, aos poucos, encontram uma identidade, um lugar onde se sentem pertencentes. Isso é maravilhoso. Aqui eles têm liberdade para pensar, criar resultados e explorar a imaginação. E os que temos realizações são realmente extraordinários”, afirma Jacilene Dias.

Desafios para os alunos – Os alunos do 8º ano, Thalles Santana e Kaik Oliveira, da Escola Municipal Nazinha Barbosa, participam pela primeira vez de uma equipe do LabMaker, porém já se preparam para disputar o Torneio Pessoense de Robótica (TPR). Animados com a rotina no laboratório, eles contam que a experiência tem sido repleta de aprendizados e descobertas. E, enquanto Thalles destaca o espírito de equipe como um dos pontos altos do projeto, Kaik diz que o que mais o empolga são os desafios que surgem a cada atividade. “Estou sempre esperando novos desafios. Sempre quis participar de algo assim para testar minhas habilidades”, afirma o estudante.

Com uma turma de preparação para o ‘Robótica 2026’, através da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), Jacilene Dias diz estar confiante no desempenho de sua equipe. Ela explica que para esta competição os estudantes estão trabalhando na montagem e programação de robôs que simulam situações de resgate (salvamento de vítimas em cenários de desastre).

“Existe nervosismo, sim. Mas, é uma ansiedade boa. Aquele friozinho na barriga de imaginar como vai ser. Este ano os alunos que estão na OBR são novatos. Nunca participaram de competições de robótica. A ansiedade vai a mil, mas a gente tem preparado bem a base: o conhecimento em informática, em programação e montagem. Uns precisa a parte de programação, outros de montagem, e assim eles vão dando as mãos e fazendo o trabalho em equipe acontecer. A ansiedade vem, e é natural. Tudo é novidade, porém eles estão gostando Muito. Eu acredito que vão dar um show, até porque esses meninos são os verdadeiros protagonistas de eventos como este”, afirma a mediadora.

Resultados animados – Atualmente, a rede municipal de ensino de João Pessoa conta com 48 Salas Maker distribuídas em diferentes unidades escolares. De acordo com o diretor da DTIC, Diego Araújo, esses espaços integram uma política mais ampla de modernização da infraestrutura educacional, que também contempla investimentos em conectividade, ambientes digitais, robótica educacional e Salas Google.

E os frutos de todo esse investimento da Prefeitura de João Pessoa em tecnologia educacional, já vêm sendo colhidos. Além de melhorar significativamente o desempenho escolar, os alunos que compõem as equipes de robótica têm acumulados prêmios importantes estaduais, nacionais internacionais.

Entre os principais destaques estão o título mundial conquistado na China, em 2015, pela equipe Robô Apolo, e os títulos do Campeonato Latino-Americano de Robótica, conquistados em 2018 e 2019, que garantiram à rede municipal reconhecimento internacional e vagas para representar o Brasil em competições mundiais.

Nos últimos anos, a rede municipal de ensino segue mantendo seu protagonismo nas competições de robótica. Em 2023, conquistou as três primeiras colocações da etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) no Nível I. Já em 2025, classificou 21 equipes para a etapa nacional da OBR e para a Mostra Nacional de Robótica, além de garantir títulos e pódios em diferentes modalidades da etapa estadual.

“Como reconhecimento pelos projetos apresentados na OBR e na Mostra Nacional de Robótica de 2025, estudantes de sete escolas municipais foram contemplados, em 2026, com bolsas de Iniciação Científica Júnior do CNPq. E esses são apenas alguns exemplos. Praticamente todos os anos, estudantes da rede municipal conquistam premiações, classificações ou reconhecimentos em competições científicas e tecnológicas. Porém, mais importante que os troféus, são os percursos construídos – alunos da escola pública pesquisando, programando, fabricando, defendendo ideias e percebendo que também podem ocupar os espaços mais avançados da ciência e da tecnologia”, ressalta Diego Araújo.

Em 2026, a rede municipal de ensino de João Pessoa conta com cerca de cem equipes de robótica em diferentes estágios de preparação. Enquanto algumas escolas participam com apenas uma equipe, outras mantêm dois ou três grupos trabalhando simultaneamente em desafios diferentes. Mas, independentemente da escola ou do projeto que se desenvolve, o protagonismo estudantil segue como mais, tendo na preparação para as diferentes competições de robótica um estímulo fascinante.

O LabMaker – É um projeto da Prefeitura de João Pessoa inspirado na “cultura maker”, baseado no “faça você mesmo”. Composto pelas Salas Maker instaladas nas escolas municipais, nasceu como uma forma de incentivo aos estudantes para assumir o protagonismo da própria aprendizagem, utilizando ferramentas como robótica educacional, programação e fabricação digital.

As Salas Maker são ambientes de aprendizagem criativa e colaborativa, onde os estudantes desenvolvem projetos, testam soluções e aplicações conhecimentos com o apoio da tecnologia. A proposta é colocar o aluno no centro do processo de aprendizagem, estimulando a criatividade, a experimentação e a integração entre inovação e conteúdos curriculares, com o acompanhamento de mediadores de Tecnologia.



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