Profissionais do Samu-JP alertam a população sobre como agir em caso de engajamento


O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de João Pessoa (Samu-JP) traz um alerta à população da Capital sobre as medidas que devem ser tomadas diante de um engasgo, que pode ser considerada uma situação de emergência e acontecer com qualquer pessoa, em qualquer idade e a qualquer momento.

Alimentos, brinquedos, moedas e outros objetos podem obstruir as vias aéreas, impedindo a passagem do ar. Quando isso acontecer, aja de forma rápida e correta para salvar uma vida. De acordo com o enfermeiro Ricardo Leite, coordenador do Núcleo de Educação Permanente (NEP) do Samu Regional de João Pessoa, o primeiro passo é identificar a gravidade da situação.

“Se uma vítima do engasgo consegue tossir, falar ou respirar, mesmo com dificuldade, significa que a interferência é parcial. Nesses casos, a orientação é incentivada que ela continua tossindo, sem oferecer água, alimentos ou tentar retirar o objeto com os dedos, pois isso pode agravar a obstrução. Já quando a vítima não consegue falar, tossir ou respirar, leva as mãos ao pescoço e apresenta sinais de desespero ou coloração arroxeada nos lábios e na pele, trata-se de uma obstrução grave das vias aéreas, solicitando atendimento imediatamente”, iniciou o profissional do Samu-JP.

Acionamento do Samu – Ao identificar um quadro de engasgo grave, a primeira atitude deve ser ligar imediatamente para o Samu, pelo número 192, ou solicitar que outra pessoa faça essa ligação enquanto o socorro é iniciado. A Central de Regulação Médica permanece na linha orientando o passo a passo das manobras de desobstrução das vias aéreas, além de enviar uma equipe de emergência ao local. Essas orientações por telefone podem ser decisivas para aumentar as chances de sobrevivência da vítima até a chegada do atendimento especializado.

Atualização sem atendimento– As diretrizes da American Heart Association (AHA) 2025 trouxeram uma importante atualização no atendimento ao engasgo. A recomendação atual é iniciar o atendimento com cinco tapas firmes entre as escápulas (nas costas) e, caso o objeto não seja expelido, realize cinco compressões abdominais (manobra de Heimlich).

Segundo o coordenador do NEP do Samu-JP, caso a vítima do engasgo fique inconsciente, as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) devem ser iniciadas imediatamente, mantendo sempre o contato com a Central de Regulação do serviço pelo 192, que continuará orientando os procedimentos até a chegada da equipe de emergência.

Engasgo em bebês – Nas crianças menores de um ano, a conduta é diferente. Devem ser realizados cinco golpes firmes e rápidos no meio das costas (entre as escápulas), utilizando a base da sua mão, com o bebê apoiado de bruços sobre o antebraço e a cabeça posicionada mais baixa que o tronco.

“Se os golpes não resolverem, segure a cabeça do bebê com cuidado e vire-o de barriga para cima, apoiando-o no outro antebraço, sempre mantendo a cabeça mais baixa que o corpo. Com a base da sua mão, e não mais apenas dois dedos, faça cinco compressões torácicas rápidas e firmes no centro do peito, na linha dos mamilos. Alterne esses dois ciclos contínuos até a desobstrução, mantendo o acionamento do Samu 192 e seguindo as orientações indicadas pelos profissionais que estão do outro lado da linha”, enfatizou Ricardo Leite.

Prevenção como estratégia – Grande parte dos casos de engajamento pode ser evitada com medidas simples, como cortar os alimentos em pedaços pequenos, evitar conversar ou correr durante as refeições, supervisionar crianças pequenas enquanto comem e manter objetos pequenos fora do alcance dos menores.

“O conhecimento em primeiros socorros faz toda a diferença. Saber identificar um engasgo, acionar rapidamente o Samu e iniciar as manobras corretas pode ser decisiva entre a vida e a morte. A orientação da Central de Regulação, aliada ao atendimento especializado, aumenta significativamente as chances de um desenvolvimento favorável”, destacou Ricardo Leite.



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