Antes, a timidez, o isolamento, o estado de depressão. Agora, uma vida transformada. Um novo ser com um sorriso largo no rosto, olhos estendidos e a esperança de alcançar as estrelas. Quando Gabriela Brito, de 15 anos, lembra do passado não tão distante e olha para o presente, ela compreende na essência como os projetos de inclusão da Secretaria de Habitação de João Pessoa (Semhab) conseguem mudar a vida das pessoas. Com relação ao futuro, os sonhos são os mais altos, e ela está pronta para ir em busca da realização de cada um.
“Meu sonho de verdade é seguir uma faculdade de Direito e ser delegado. Mas também, depois que eu comecei a fazer teatro, meu sonho é ser atriz. Eu me identifico muito e quero realmente me esforçar nessa área. O teatro conseguiu me transformar em outro alguém que eu não consegui ser. E eu sou muito feliz e grata! Antes era a Gabi tímida, frustrada, que não queria falar com ninguém, a menina insegura. Hoje eu perdi a timidez e quero mostrar aquilo que estou me esforçando pra conseguir”, falou com segurança Gabi, como é chamado carinhosamente por todos.
A mãe, Priscila Brito de Queiroz Fernandes, sempre presente, fala com orgulho do presente da filha e lembra da mudança de vida provocada na vida de Gabi com a oportunidade de fazer teatro. “Gabi entrou no projeto em 2024. No começo era muito tímida, e depois começou a fazer participações na Paixão de Cristo, no Mágico de Oz e agora nessa peça profissional. Ela não teria tido essa oportunidade se não tivesse o projeto da habitação que coloca as crianças para fazer teatro. Ela foi vista naquele projeto”, emocionou-se.
Tá! Mas, o que essa história tem a ver com a Secretaria Municipal de Habitação? É que depois que Gabi ingressou no Projeto Arte e Cultura Florescer, criado pela Semhab, tudo começou a mudar em sua vida. A jovem passou a encenar peças de teatro e hoje está até no elenco de um espetáculo profissional, Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate, apresentado até o dia 31 de maio no Teatro Ednaldo do Egypto.
A peça tem a direção de Letícia Rodrigues, que há 3 anos também é responsável pelas oficinas de teatro das quais os meninos e meninas do projeto Arte e Cultura Florescer participam. “Já fui uma dessas crianças, por isso o tato para dar certo a fórmula! Quando criança participoui do Centro Livre Meninada voltada às crianças da comunidade, 20 anos atrás. Hoje decidi passar o bastão para essa nova geração do teatro paraibano. Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate, a mensagem é essa para quem deve passar o Bastão”, acrescentando que a produção é da Candinheiro Produções Artísticas.
Projeto Arte e Cultura Florescer – Foi criado para promover a inclusão social de forma pedagógica e artística, através de instrumentos como a música e o teatro, oferecendo às crianças e adolescentes moradores dos moradores construídos pelo Programa Habitacional da Prefeitura, uma oportunidade de ter outra visão da sociedade em que eles vivem.
A assistente social Nice da Silva, da equipe técnica e social da Semhab, informou que o projeto foi implantado há cinco anos e vem sendo efetivado em duas fases, que incluem crianças e adolescentes de 10 a 16 anos. Atualmente, a primeira turma é formada por 15 crianças e adolescentes do Residencial Vista Alegre I e II, no Bairro das Indústrias. A segunda tem 16 participantes, incluindo jovens da Escola Anayde Beiriz. Todos têm acesso a oficinas de teatro, dança e música, desde que fazem parte das famílias beneficiadas dos condomínios dos trabalhos da Semhab.
“O projeto Arte e Cultura Florescer tem como objetivo melhorar a aprendizagem, pois desenvolve a leitura, a criatividade e a objetividade, bem como o comportamento psicossocial, melhorando a desenvoltura e a timidez na forma como se expressar para o mundo”, sugeriu Nice Silva.
Mudança de vida – Assim como Gabi, outras estrelas do teatro estão começando a surgir. Davi Lucas, de 11 anos, é um deles. Antes das artes cênicas, uma criança agitada e com dificuldade de concentração, comportamentos que têm sido suavizados após a experiência dos palcos. “Ajuda ele a se concentrar para decorar um texto, para ensaiar para se apresentar. Vejo mudança de comportamento dele até mesmo na sala de aula. Cheguei a receber reclamações de professores sobre ele, às vezes até agressiva, e o teatro mudou isso nele”, contou Maria Natália, a mãe de Davi Lucas.
O caminho tem sido o mesmo para Nicolas Silva, também de 11 anos, que também está na peça Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate. “Na escola era um menino retraído, tímido, tinha vergonha de falar com as pessoas, e depois do teatro mudou bastante. Ele é mais responsável com as coisas em casa e na escola, tira notas melhoradas, mais obediente, foi Deus quem colocou essa equipe na vida de Nicolas, ele é mais comportado, educado, mudou muito e agradeço demais por ele fazer parte da peça”, por Maria Aparecida, mãe do garoto.
Habitação de interesse social – O Arte e Cultura Florescer é apenas um dos programas encabeçados pela Habitação Municipal para promover a inclusão social. A secretária Socorro Gadelha destacou que todos os projetos habitacionais desenvolvidos pela Prefeitura de João Pessoa incluem iniciativas como o programa ‘Cuidar do Lar’, voltado para famílias que vivem em moradias precárias, além da Regularização Fundiária, que garante a entrega de escrituras a famílias de baixa renda.
Tem, ainda, o ‘Eu Existo’, destinado ao apoio de mães de crianças com comorbidades; o ‘Davi’, de musicalização infantil em parceria com o Exército Brasileiro; e o ‘Arte e Cultura Florescer’, que utiliza o teatro como ferramenta de inclusão social, além da promoção de cursos de qualificação e capacitação profissional para gerar emprego e renda.

“É um programa de habitação de interesse social para dar sustentabilidade às famílias familiares, totalmente voltado à inclusão social. A gente não se preocupa apenas com a pedra e o cal, nos preocupamos com o pós-habitacional. Temos um trabalho com os assistentes sociais voltados para a sustentabilidade das famílias, na área de geração de emprego e renda, na área de educação física para idosos e pessoas com deficiência, ministrando cursos para pedreiros, confeitaria. Durante dois anos do pós nós trazemos esse acompanhamento. Tem grupos formados por famílias que não sabiam ler e estão na universidade Pedreiros que não tinham emprego e que hoje estão trabalhando”, celebrou Socorro Gadelha.


Projeto premiado – Todos esses projetos foram entregues à Prefeitura de João Pessoa, pelo quarto ano consecutivo, o prêmio nacional ‘Selo de Mérito’ na área de habitação social, concedido pela Associação Brasileira de Cohabs e Agentes Públicos de Habitação (ABC) e pelo Fórum Nacional de Secretarias de Habitação e Desenvolvimento Urbano (FNSHDU). Neste ano, o reconhecimento foi concedido ao programa ‘Construindo Inclusão’, desenvolvido pela gestão municipal com foco na promoção da habitação de interesse social e inclusão das famílias em situação de vulnerabilidade.






