João Pessoa (PB) – A manhã desta segunda-feira foi marcada por um momento de profunda emoção no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PB). Durante a 5ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional Intergestores da Política LGBTQIAPN+, o coral Vozes Passageiras, formado por mulheres em privação de liberdade na Penitenciária Femina Maria Júlia Maranhão, foi aplaudido de pé.
O projeto, que completa 11 anos de atuação em 2026, é regido pelo Maestro Sérgio Gerarde. Com um repertório renovado a cada semestre, o grupo transpõe os muros da unidade prisional para levar à sociedade uma mensagem de esperança e transformação através da música.
🎤 “Respiramos ressocialização”
Para o Maestro Sérgio, cada apresentação é um degrau subido no processo de retorno à sociedade. “Nós respiramos o espírito da ressocialização e nada melhor do que a música para transpor isto. É sempre um orgulho ver o público nos aplaudir de forma homogênea, tanto quem está no palco quanto quem assiste”, destacou o maestro.
Sérgio Gerard acrescentou que o projeto conta com o apoio irrestrito da diretora da unidade, Dra. Tatiana Pimentel, e de figuras chave na gestão penitenciária, como o Secretário de Administração Penitenciária, Dr. João Alves, e o gerente de ressocialização, João Rosas. A “madrinha” do projeto, a juíza das execuções penais, Dra. Andréa Arcoverde, e o Dr. Hermance Pereira (Conselho da Comunidade) também foram enaltecidos pela dedicação ao coral.
A Dra. Tatiana Pimentel, gestora do Júlia Maranhão, revelou: “É uma alegria levar para fora dos muros da Penitenciária o fruto de um trabalho contínuo realizado por várias mãos que colaboram e, sobretudo, acreditam que a ressocialização é um caminho de luz e esperança para quem está à margem da sociedade. Quando a primeira nota toca, as estrelas são elas.”
🕊️ O Relato de quem canta a Liberdade
Entre as vozes que compõem o grupo, a emoção de estar no palco é indescritível. Para a coralista C.P.M, o canto é o momento em que as grades deixam de existir:
“Quando eu coloco essa farda do coral e subo no palco, eu não sou mais um número, eu volto a ser gente, volto a ter nome e sonhos. Cantar aqui fora faz a gente acreditar que o erro ficou para trás e que a música está desenhando um novo caminho para quando a liberdade chegar definitiva.”
De acordo com a Dra. Tatiana, a segurança da missão foi realizada pelos grupos especiais da Polícia Penal, GPOE e Força Tática, que asseguraram o sucesso da empreitada na condução de 19 (dezenove) apenadas.





